Sobre Youtube e cafofos

Vocês também se perdem no Youtube?

Dias desses deu 18h, parei de trabalhar mas não desliguei o computador, estava interessada numa receita de quinoa e quando me dei conta já era quase meia-noite e eu estava vendo uns caras suecos com aparência de integrantes de banda de black metal experimentando paçoca pela primeira vez na vida.

Youtube é um buraco negro sugador de tempo.

Canal de culinária ou de DIY estão para o adulto assim como unboxing e Minecraft estão para as crianças.

Eu devia estar estudando ou pondo em dia as séries e doramas mas não, vi uma viagem inteira de um casal californiano pelo Brasil.

Mas eu queria falar dos vídeos de decoração e reforma. Esse assunto sempre conquista as pessoas e não é à toa que existem milhares de programas na TV paga e aberta com esse tema. Talvez porque moradia ainda seja uma coisa bem difícil de ser garantida, não só aqui no nosso país, mas no mundo. E todos querem cantinho pra chamar de lar. Um lugar pra curtir, relaxar e se sentir seguro. E se você for pobre como eu, cresceu morando e frequentando casas que muitas vezes não têm o luxo do acabamento quanto mais decoração. Então é um tema que toca as pessoas.

Eu vi muitos vídeos desse tipo. Muitos. Desde as reformas mais simples às mais complexas, das mais baratas às mais caras e tirei duas conclusões.

A primeira é que um arquiteto ou designer de interiores é sempre necessário. Sempre. Se não tiver um desses profissionais, por mais bom gosto e dinheiro que a pessoa tenha, o resultado no máximo vai ser ok. Não fica ruim mas também não fica bom. E quando fica mais ou menos tudo tem cara de showroom da Sylvia Design. Não que eu tenha alguma coisa contra, inclusive toda vez que entro nessa loja cobiço os móveis incríveis e caros pra cacete. Sem falar na trajetória da própria Sylvia, que mostra toda a força da mulher nordestina. Mas o fato é que se não tiver alguém que saiba o que está fazendo, que tenha estudado e seja bom no que faz, são grandes as chances de no final ficar tudo uma cafonice.

A segunda é que a gente está sempre tentando copiar coisas que não necessariamente refletem o nosso estilo de vida ou a nossa atual situação. Eu tenho a impressão que não temos estilo algum. O Nosso Estilo. Só tentamos imitar uma casa americana ou europeia, que vamos combinar, sequer se encaixam no nosso clima. Ou então seguimos modinha. Como agora, por exemplo, todo mundo tem algum objeto na cor cobre ou rosa envelhecido e um vaso de costela de Adão ou então um quadro ou uma estampa dessa planta. Um tempo atrás eram as luzinhas de fada na cabeceira ou no espelho. E antes disso vieram as pastilhas de vidro. Fica cansativo depois que você vê a 347ª casa decorada da mesma forma e mais o triplo disso tentando fazer a mesma coisa e falhando miseravelmente.

Eu estou aqui arrotando opinião mas a minha casa é uma bagunça de estampas e cores e estilos. Porque eu também não tenho estilo definido. Nem eu e muito menos tinha o ex marido, isso quando ele se interessava por dar algum palpite. E tenho certeza de que só não é um show room também porque não tivemos grana pra bancar a padronização classe média.

Não é bem uma crítica, quer dizer, é crítica mas não estou me pondo superior a isso, eu me coloco no mesmo balaio e sendo sincera, numa situação em que eu tivesse dinheiro ilimitado para reformar e decorar meu apartamento da forma que eu quisesse, duvido muito que eu saberia definir exatamente qual o meu estilo. Que casa teria a minha cara?

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E quem tem energia pra falar com zumbis?

A minha vida pode estar uma merda mas ainda assim eu tento deixar de lado os micros problemas e refletir sobre as questões macros.

Eu estava vendo esse vídeo do canal da Ana Roxo e da Tatiane sobre essa palhaçada que o novo governo está fazendo com a educação e resolvi por pra fora alguns “achismos” sobre o assunto.

Antes, algumas considerações: não tenho formação e experiência alguma na área de educação mas se serve pra alguma coisa estudei minha vida toda, inclusive faculdade, em escola pública. E deixando claro que meu viés é de esquerda. Sempre foi desde que me entendo por gente. Hoje eu me alinho bem pouco com os partidos ditos de esquerda. Fui pra direita ou pro centro? Não. Fui bem mais à esquerda. Nos meus delírios esquerdistas, para mudar alguma coisa seria necessário uma revolução proletária, porém nosso proletariado ainda nem se reconhece como tal. E uma solução justa e humanitária nunca viria da direita por motivos óbvios de autofagia.

Se eu tivesse filhos estaria seriamente preocupada. Tenho sobrinhos e afilhados em idade escolar e o que me deixa um tanto tranquila é que todos eles estudam em escolas particulares que usam metodologia de educadores respeitados mundo à fora, mas essa tranquilidade para na questão “até quando os pais vão conseguir pagar por esse privilégio?”. Eu não sei vocês mas às vezes me pego divagando sobre o que eu faria se tivesse muito, mas muito, muito dinheiro. Eu criaria uma fundação ou um fundo de investimentos que forneceria bolsas de estudo. Os primeiros a serem contemplados seriam sobrinhos, afilhados e filhos de amigos por motivos de “eu sou a dona do dinheiro, eu quem mando nessa porra”. Mas uma vez que eles estivessem formados e não precisassem mais da bolsa, ela estaria à disposição de alunos carentes.

Voltando ao vídeo, eu concordo com o que elas disseram. Educação domiciliar não deveria ser prioridade desse governo e sim a qualificação dos professores. E quando elas falaram sobre a pressão que existe sobre professores porque todas as soluções dos problemas do país parecem sempre que passam pelo “precisa de mais educação” e citaram a Coreia do Sul como exemplo de avanço com massivos incentivos à educação, eu fiquei pensando se para nós, no nosso contexto, se essa seria a única solução. O que todo mundo deixa de lado é o problema de desgraçamentos de cabeças que o sistema de educação da Coreia gera, com vários suicídios e gerando uma “casta” onde somente os filhos da elite conseguem estudar nas melhores escolas e conseguem os melhores empregos. Isso ainda vai estourar num problemão com o crescimento da diferença social. E a gente sabe onde essa distância entre os mais ricos e os mais pobres termina: criminalidade e violência. A gente vive essa realidade mesmo tendo pulado a fase boa dos investimentos em educação.

Recentemente num encontro com um pessoal bem mais engajado politicamente que eu e ativos tanto na política quanto na educação, foi levantada essa bola também. A solução pra tudo seria mais educação. E lembro que alguém ainda questionou, mas e enquanto isso, o que a gente faz? E ninguém soube responder.

Juntando essas conversas eu ando pensando que talvez a solução para o nosso caso não seja exatamente pelas vias educacionais, ou pelo menos só por ela. Vai ter que ser criado um plano de contingência.

O ranço de gente desonesta intelectualmente me faz desejar que esse bando de idiotas passem muita vergonha com o conhecimento obtuso deles, mas aí eu lembro de um livro que li, acho que foi aquele sobre introvertidos da Susan Cain mas eu posso estar totalmente errada e não ser esse livro, de qualquer forma foi em algum livro que disse que a vergonha não gera resultados positivos, então essa não é uma saída viável. Não vai dar pra deixar eles apenas quebrarem a cara, vamos ter que ser ativos.

E eu já me deparei com uma pessoa que realmente ficou espantada e não soube como reagir ao saber que eu não compartilhava da mesma opinião pseudo-liberal e nem apontava arminhas com os dedos. A pessoa ficou literalmente paralisada e não conseguia entender a existência de alguém no mundo que não pensasse como ela. E com essas pessoas não há diálogo, não tem como debater, mostrar evidências e fatos. Não dá. A lavagem cerebral é tão forte, o discurso deles é tão confiante que faz a gente, que está sempre se questionando, porque não temos verdades absolutas, se perguntar se não estamos pensando de forma totalmente equivocada. Para essas pessoas a educação não tem efeito algum.

Eu nem sei exatamente por onde começar a pensar nessa alternativa mas provavelmente alguém mais competente que eu um dia surgirá com a ideia. Só espero ainda poder ver isso acontecer.

Quando é que Godot chega?

Há dias fáceis e há dias difíceis.

Nos fáceis a gente passa batido, inspirando, expirando, respirando.

Os difíceis se arrastam, demandam energia. Eu me esforço pra ser minimamente funcional, pra não desabar, pra por uma máscara e seguir em frente e até dando uma força pros amigos que estão piores.

Mas tem dias que simplesmente não são viáveis. O choro vem fácil. A prostração domina. Nada distrai. Não dá pra trabalhar, limpar, ler, ouvir música ou assistir série.

A vontade nem é de morrer é de não existir. Não sofrer.

E eu tenho tentado abraçar o sofrimento. Tentado ser madura me dizendo que isso faz parte da vida, que é pra doer mesmo e que é só esperar que vai passar.

Vai demorar muito pra passar?

Dracarys!

2019, né?

O ano passado foi tão cagado que eu, uma pessoa infelizmente cética demais, fui procurar uma explicação mística porque a racional não serviu pra explicar o porquê de eu ter perrengue até a última semana do ano.

Eu andei lendo até sobre horóscopos só pra ter um pinguinho de esperança nessa vida e como essas coisas sempre dizem o que a gente quer ouvir: encontrei a explicação.

De acordo com o calendário chinês sou do signo do Dragão, mais especificamente, Dragão de fogo. Coisa bem imponente pra uma pessoa introvertida e que teve que trabalhar a timidez pra conseguir ter um pouco de vida social.

E o ano passado foi o ano do Cão. Adivinha só quem é incompatível com o Dragão? Isso mesmo, então ano passado foi para mim, literalmente, um ano do cão. Rá!

2019 será o ano do Porco. Porco é fofinho. É gostoso. E promete ser bom pra mim.

O horóscopo chinês de 2019 prevê felicidade, alegria e prosperidade para o Dragão durante o ano do Porco. O quinto signo do zodíaco da astrologia chinesa é finalmente liberado das cadeias que o impediram durante o ano do Cão na Terra de 2018 de se mover com o vigor e graça que normalmente caracterizam isso. O ano chinês de 2019 anuncia para o Dragão um retorno à normalidade em seus negócios, bem como em sua vida privada. Mais uma vez, ele pode encontrar esperança e oportunidades que foram perdidas por muitos meses.

Fonte: https://www.karmaweather.com/pt/dragao-2019-horoscopo-chines

Não é uma coisa linda de se ler?

Aquela voz chatinha na cabeça está dizendo que tudo não passa de bobagem, mas querem saber? Saio desse ano do cão tão fragilizada que um pouquinho de esperança, ainda que vã, não vai fazer mal.

Bom 2019 pra todos nós.

Cansada

Fazia um bom tempo que eu não sentia pena de mim mesma. Acho que desde o final da adolescência. Esse sentimento vem sempre da sensação de impotência. E impotente é o que me define na atualidade.

Desde o ano passado eu venho tomando umas rasteiras da vida. Como eu não sou um floquinho de neve, e portanto, isenta das dores do viver, venho repetindo a mim mesma: está tudo bem, isso acontece, life sucks. Eu vou sofrer, ficar triste, vai doer, vou chorar e um dia vou acordar e a dor não estará mais lá. Com sorte esqueço o tempo ruim e fico nova em folha pronta pro próximo tombo, com mais sorte ainda vem a maturidade.

Eu não sei quando isso vai acabar e nem como vou sair disso mas me peguei pensando na mais egocêntrica das perguntas: por que eu? Eu sei que a resposta é outra pergunta: por que não eu? Mas há um abismo entre o saber racionalmente o sentir.

Eu tive uma crise de pânico e me desesperei porque me vi muito impotente. E chorei, por mim, porque não tinha ninguém para me ajudar ou para entrar em pânico comigo ou pra me acalmar. Eu nunca havia me sentido tão sozinha.

Estamos aí, um dia de cada vez. Mas o preço está sendo cobrado no corpo todo dolorido. Noites mal dormidas e ciclo menstrual totalmente maluco. Olheiras profundas e tantas espinhas doloridas pelo rosto que nem quando era adolescente eu tive. Sem fazer atividade física alguma. Pelo menos estou comendo até que de forma saudável embora em quantidades acima do que eu deveria.

Que essa semana seja relativamente tranquila e de recuperação. Pra mim e para vocês também porque sei que a carga negativa sobre nós está realmente pesada e eu queria muito vir aqui e escrever um texto feliz, não de tristeza e nem de resignação.


Pesadelo virando realidade

Então que minha mãe está em casa mas não quer dizer que a situação esteja boa. Tiveram que chamar o SAMU novamente porque ela estava passando mal e aparentemente ela anda esquecendo de tomar os remédios. Meu pai estava avisando que tinha que tomar e ela dizia que já tinha tomado. O problema é que ela não se lembra mas pra não dar o braço a torcer diz que tomou. Aí vem a hipoglicemia e ela fica desorientada e passando mal.

Meu irmão fez um esquema no papel com todos os remédios e horários mas parece que não adiantou muito. Eles ouvem, concordam e dizem que entenderam mas no minuto seguinte já esqueceram de tudo.

E aí entra as personalidades deles. Meu pai é bem passivo e na dele, beira o displicente (e eu tenho que me policiar porque sou da mesma forma). Ele não bate de frente. Nunca bateu, sempre acatou o que a minha mãe dizia. E minha mãe é o que chamam de personalidade forte mas que de forte não tem nada, é só intransigente, briguenta e inflexível. E narcisista. Tudo é sempre sobre ela. Os dois são impulsivos e imediatistas. Discutem o tempo todo, o que me deixava com medo quando jovem mas que agora só me deixa irritada porque não compreendo alguém viver em pé de guerra tanto tempo. É cansativo demais.

E já surgiu o papo de que eles não podem ficar sozinhos mais. A gente vai ter que pagar uma cuidadora ou eles vão ter que morar com um de nós. Como grana é algo que está faltando para todos nós no momento sobrou a opção de morar junto. Eu sei que eles prefeririam morar com a minha irmã porque além de ser uma casa e não apartamento, ainda tem o neto que eles adoram. Eles resolveriam um problemão que a minha irmã tem que são os buracos nos horários do trabalho dela e do cunhado e a escola do sobrinho. Porém, a casa da minha irmã não tem espaço, é um sobrado de apenas 2 quartos. Com o meu irmão eles não gostariam de ir, ele mora em outra cidade, é apartamento e minha cunhada por mais fofa que seja, tem as manias dela e já tem que lidar com o enteado. Então tudo contribui para que eu fique com eles. Porque eu estou sozinha no momento e tenho espaço, apesar de ser apartamento.

Tudo estaria ótimo e resolvido se não fosse por um detalhe: minha mãe é abusiva comigo, imagina então velha e doente? Pra eu ter um pouco de sanidade eu tive que aprender a me afastar dela desde criança. Até hoje eu visitava uma ou duas vezes no mês e no máximo por 3 horas, mais que isso e ela já tenta me fagocitar. É triste mas esse é o verbo que mais explica as atitudes dela comigo. Mesmo eu sendo casada e com mais de 40 anos, ela ainda me vê como parte dela. E não me entendam mal, eu gosto muito dela e sou grata por tudo. Ela não é uma pessoa ruim, ela é generosa, altruísta, sempre disposta a ajudar e compreender mas não consegue aceitar um limite. Então agora, quando estava me acostumando a viver sozinha, a ter o meu espaço, a fazer as coisas para mim e não pensando em outra pessoa, vou ter dar passos pra trás e deixar essa auto descoberta de lado.

Estou tentando ser sincera com o que eu penso e sinto sobre a situação. Me sentindo a filha ingrata e egoísta, porém se eu não estiver bem como vou cuidar deles?

O pior já passou

O susto foi grande mas parece que já passou. Minha mãe voltou pra casa. Está bem fraca e tomando vários remédios mas aparentemente melhorando. Espero que corra tudo bem na recuperação.

Obrigada a todos pela força.

Acho que esse último acontecimento foi a gota d’água pra mim. Se até então eu estava meio anestesiada, agora estou sentindo um grande cansaço.

Eu estava guardando um restinho de energia para alguns compromissos sociais desse mês mas agora estou esgotada e sem um pingo de ânimo.

Vou fazer o esforço porque já havia me comprometido e são com pessoas que eu me importo e ficaram ao meu lado nessas desventuras. Mas confesso a vocês que minha vontade era de dormir e só acordar quando tudo estivesse bem (hello darkeness, my old friend).

No momento tentando resolver uma coisa de cada vez. Presentes de Natal dos sobrinhos e afilhados. São crianças e esperam por esse agrado. Em outras épocas eles já estariam comprados desde outubro. Eu, além de estar completamente quebrada, não estou com a mínima inspiração. Tentando encontrar algo pela internet porque só o pensamento de ter que ir enfrentar uma loja de brinquedos nessa época me faz ter calafrios.

As coisas corriqueiras tomam espaço porque a vida não para mas eu confesso que se pudesse fugia correndo de tudo.