We purple you, ou melhor, nós roxamos vocês

São Paulo, 24 e 25 de maio de 2019.

Eu vim registrar o quão incrível foram esses últimos dois dias. Porque não só de lamentos e sofrência vive esse blog.

E estou muito satisfeita porque a primeira coisa não apenas boa, mas ótima mesmo, que aconteceu depois da tsunami de lama na minha vida foi um show. Um não. Dois.

Sim, foi caro. Principalmente porque eu não pago meia entrada. Mas foi só dinheiro. Trabalhar só para subsistência e sobrevivência é muito triste. Vou dar uma de millennial (sou geração X/Y) privilegiada (isso sou sim) e dizer que mais que comprar coisas, poder usar o dinheiro pra comprar essas experiências é que deveria ser a regra.

Como disse Kim Namjoon, se o BTS foi capaz de conquistar pessoas do outro lado do mundo é porque eles estão fazendo a coisa certa.

Os shows foram verdadeiros espetáculos. No primeiro dia acho que rolou um nervosismo por parte deles mas no segundo dia eles estavam à vontade, felizes, se divertindo no show. O único porém acho que ficou pros microfones quando eles estavam conversando com o público e que foi difícil de entender ainda mais porque cada frase era seguida de uma gritaria louca.

Meus destaques:

Os vídeos dos intervalos. Fanservice de qualidade e que mostra todo o encanto de uma estética bem diferente a que estamos acostumados aqui no país, onde a super exposição dos corpos é a regra. Onde mais você veria milhares de meninas surtando com o simples ato de um rapaz cheirar uma mexerica (tangerina/bergamota)?

Abrir o show com Dionysus foi a escolha perfeita.

Jimin em Serendipity. Se doente foi algo lindo de se ver, imagina saudável. Acho que foi a minha performance preferida.

O cenário espetacular de Seesaw e um Suga animado e sorrindo como eu nunca vi.

A empolgação de Jungkook. Ele realmente curtiu fazer os shows. Ele dançou e cantou como se não houvesse amanhã.

Namjoon é um homem lindo, lindo, lindo, lindo, lindo demais. Vou falar mais uma vez: Kim Namjoon é lindo!

As sobrancelhas e o olhar do Taehyung estão entre as coisas mais poderosas que já vi alguém possuir. Ele ficou com o título de Mr.Lindo mas RM é meu utt e esse posto é dele. Sorry.

As câmeras de vídeo e fotografias foram inventadas para o Seokjin. Até se flagrarmos ele dando uma topada numa pedra, ainda assim sairá fotogênico. E o que foi aquele coro do estádio todo em Epiphany?

J-Hope = energia infinita. Sério. Ele não para um segundo.

Acho que em Mic Drop os moradores em torno do estádio sofreram com a trepidação nas janelas.

Boy With Luv é minha segunda música favorita só perde pra So What? e que foi a que me incentivou a ir no segundo dia do show também.

Acho que fiquei uns 10 anos mais nova só de estar em contato com tanta energia juvenil.E se você torce o nariz pra k-pop, sorry, está perdendo momentos de pura alegria. E só deus sabe como estamos precisados de luz nessa época de trevas.

Aguardando ansiosa pela volta deles.

Foram dias inesquecíveis.

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De tragédia a comédia (ainda não romântica)

E aí que hoje eu levantei as 6h da manhã vesti uma roupa e fui ao mercado. Modo velha ativado. Só não varro a calçada porque moro em prédio. Bom, fui aproveitar enquanto estava com coragem e disposição e caminhei um pouquinho.

Estou andando na rua, reggaeton tocando nos fones, olhando as pessoas indo pro trabalho ou pra escola, os doguinhos passeando, quando percebo uma pessoa vindo na minha direção. Eu olho pro rosto, não reconheço e vejo que é um mendigo. Faço o checklist mental: celular, dinheiro e chave no cinturão por baixo da roupa, seguro e com chances zero de ser roubado. Ok. Continuo andando mas me afastando pro lado. Ainda assim ele consegue pisar na lateral do meu pé.

Isso mesmo. Um mendigo desviou de seu caminho apenas para pisar no meu pé.

Centenas de pessoas passando na Avenida Paulista naquele momento e ele escolhe a mais apagada e apática pra zoeira matinal dele.

E nem tem a desculpa de eu estar chamando atenção porque estava de legging preta, camiseta azul marinho e tênis preto. Cabelo preso num coque e que nem está mais na cor azul, sobrou apenas um verde desbotado nas pontas. Sério, desde que eu engordei me acostumei com a invisibilidade. Confesso que até gosto porque dá sim uma liberdade que mulheres não costumam ter. Mas ser notada por um mendigo para ser o alvo do ataque dele foi muito aleatório.

Como pegou de raspão porque eu já estava me afastando, não doeu, não sujou meu tênis e minha reação foi rir, afinal, olha que jeito patético a vida encontrou pra me mostrar que eu estou viva e não sou invisível.

Da próxima que tal um esbarrão com um moreno de 2m que se encante por mim igual nas cenas dos filmes? Fica a dica, vida!

Quer me ajudar? Pode ser em dinheiro

Sabe aquele povo do Já abraçou alguém hoje? No meu caso está mais pra Já contou do seu divórcio hoje?

Eu consegui sair um pouco de casa. E foi o suficiente para encontrar pessoas que ainda não sabiam da separação e me perguntaram sobre o ex.

Curioso como era vergonhoso falar sobre isso até tempos atrás. Mesmo falando com os amigos mais próximos e até mesmo aqui, que usei de desabafo, ainda assim, no fundinho havia uma vergonha. Agora é só mais um assunto. É, ele não volta mais. Sim, eu fiquei sozinha. Realmente, parece que vai chover forte hoje.

Que coisa maluca isso, não? Não é que passou a dor é só que não é mais novidade. Aconteceu e não há nada o que fazer a não ser seguir em frente.

Mas também estão começando a pipocar comentários sobre um futuro relacionamento. Essa foi a terceira vez que alguém disse que haviam outras oportunidades no mundo. E eu nem respondo porque está na minha cara o cansaço, tá no meu corpo pesado, tá na minha postura de entrega. Ultimamente eu tenho passado corretivo nas olheiras pra não assustar demais, se eu tivesse perdido peso ao invés de ganhar, na certa teriam associado com alguma doença.

Essa opção de outro relacionamento não existe. Nem agora e pra falar a verdade, nem num futuro. Ainda tenho chão pela frente pra ficar sozinha e me conhecer e gostar de mim e da minha companhia. E eu quero isso, essa solidão, até dias atrás eu fiquei apavorada com a possibilidade de isso não ser possível com a vinda da minha mãe. E sabendo que não me esquivaria da responsabilidade de cuidar dela digo sem culpa que estou aliviada que ela melhorou a ponto de poder ficar na própria casa. Eu tenho que ficar bem até mesmo pra não deixar que a carência e baixa autoestima me arrastem pra perto de gente lixo.

Até parei por um minuto para pensar que talvez eu devesse procurar novos amigos, novos passatempos e atividades, mas não. Não é isso o que eu quero agora. Agora é hora de se concentrar em mim. Em que outro momento da vida eu fiz isso, viver só pra mim? Sempre fui a boa filha, boa aluna, boa amiga, boa funcionária e boa esposa, quando é que eu fui a boa pessoa? Só isso. Ser uma pessoa boa pra mim.

E que mania é essa do povo estar sempre querendo que a gente case e tenha filhos? Como se isso fosse garantia de vida feliz. Não façam isso.

Eu percebi que sai automático o discurso mas acho que está na hora da gente parar de cobrar roteiro e começar a pensar em novas formas de viver a vida, senão feliz pra sempre, posto que é impossível, mas pelo menos mais plena e realizada.

Sobre aprender a ficar sozinha de verdade

E nisso de tentar dar um passo à frente e não sofrer tanto eu tenho tentado viver mais no presente e praticar a gratidão.

Parece papo de cirandeira que vive de luz mas nesse momento eu tenho percebido que isso é uma ferramenta que eu posso usar para lidar com o quotidiano.

E como é difícil isso de tentar tirar a cabeça do passado e do futuro pra tentar viver o presente. Tem até nome bonitinho em inglês né? Mindfulness.

Parar de lamentar e ficar revisando o que poderia ter feito diferente na minha trajetória só me cria angústia. Ler as notícias do mundo e conjecturar que o mundo vai de mal a pior causa ansiedade.

O combate é constante contra a sensação de que estou sendo idiota, alienada e egoísta só porque fiquei feliz com pequenas coisas.

O meu padrão é o de reclamar, nunca está bom o suficiente porque eu não sou boa o suficiente. O objetivo é pelo menos estar ciente de que tem que melhorar mas ficar de boas com o resultado atual.

E isso de ficar sozinha que eu desaprendi total. Eu me peguei nesses dias tendo coisas pra fazer e lugares que queria ir mas que não tive coragem de ir sozinha. Me causa estranheza porque eu fazia essas coisas sozinha antes e durante o casamento. Mas agora é difícil e doloroso.

E eu já abusei dos amigos. Pode ser apenas a depressão falando e colocando os óculos sombrios mas eu sinto que já os sobrecarreguei com a minha presença. Está na hora de deixa-los em paz e esperar que quando eles sentirem a minha falta, voltem a me procurar.

E se por enquanto eu não consigo sair de casa o jeito é começar a deixar de lado a cobrança por ter uma vida social saudável e começar a apreciar e ser grata pelos pequenos prazeres da minha casa. Sem reparar nas milhões de coisas que precisam ser consertadas, arrumadas ou trocadas. Sem me preocupar em até quando eu vou conseguir me manter sozinha. Basta que por enquanto estou em pé, ainda que no limite. Basta que as coisas pareçam estar equilibradas e que os gatos estejam saudáveis e alimentados.

É isso. Eu tenho que me bastar.

Sobre Youtube e cafofos

Vocês também se perdem no Youtube?

Dias desses deu 18h, parei de trabalhar mas não desliguei o computador, estava interessada numa receita de quinoa e quando me dei conta já era quase meia-noite e eu estava vendo uns caras suecos com aparência de integrantes de banda de black metal experimentando paçoca pela primeira vez na vida.

Youtube é um buraco negro sugador de tempo.

Canal de culinária ou de DIY estão para o adulto assim como unboxing e Minecraft estão para as crianças.

Eu devia estar estudando ou pondo em dia as séries e doramas mas não, vi uma viagem inteira de um casal californiano pelo Brasil.

Mas eu queria falar dos vídeos de decoração e reforma. Esse assunto sempre conquista as pessoas e não é à toa que existem milhares de programas na TV paga e aberta com esse tema. Talvez porque moradia ainda seja uma coisa bem difícil de ser garantida, não só aqui no nosso país, mas no mundo. E todos querem cantinho pra chamar de lar. Um lugar pra curtir, relaxar e se sentir seguro. E se você for pobre como eu, cresceu morando e frequentando casas que muitas vezes não têm o luxo do acabamento quanto mais decoração. Então é um tema que toca as pessoas.

Eu vi muitos vídeos desse tipo. Muitos. Desde as reformas mais simples às mais complexas, das mais baratas às mais caras e tirei duas conclusões.

A primeira é que um arquiteto ou designer de interiores é sempre necessário. Sempre. Se não tiver um desses profissionais, por mais bom gosto e dinheiro que a pessoa tenha, o resultado no máximo vai ser ok. Não fica ruim mas também não fica bom. E quando fica mais ou menos tudo tem cara de showroom da Sylvia Design. Não que eu tenha alguma coisa contra, inclusive toda vez que entro nessa loja cobiço os móveis incríveis e caros pra cacete. Sem falar na trajetória da própria Sylvia, que mostra toda a força da mulher nordestina. Mas o fato é que se não tiver alguém que saiba o que está fazendo, que tenha estudado e seja bom no que faz, são grandes as chances de no final ficar tudo uma cafonice.

A segunda é que a gente está sempre tentando copiar coisas que não necessariamente refletem o nosso estilo de vida ou a nossa atual situação. Eu tenho a impressão que não temos estilo algum. O Nosso Estilo. Só tentamos imitar uma casa americana ou europeia, que vamos combinar, sequer se encaixam no nosso clima. Ou então seguimos modinha. Como agora, por exemplo, todo mundo tem algum objeto na cor cobre ou rosa envelhecido e um vaso de costela de Adão ou então um quadro ou uma estampa dessa planta. Um tempo atrás eram as luzinhas de fada na cabeceira ou no espelho. E antes disso vieram as pastilhas de vidro. Fica cansativo depois que você vê a 347ª casa decorada da mesma forma e mais o triplo disso tentando fazer a mesma coisa e falhando miseravelmente.

Eu estou aqui arrotando opinião mas a minha casa é uma bagunça de estampas e cores e estilos. Porque eu também não tenho estilo definido. Nem eu e muito menos tinha o ex marido, isso quando ele se interessava por dar algum palpite. E tenho certeza de que só não é um show room também porque não tivemos grana pra bancar a padronização classe média.

Não é bem uma crítica, quer dizer, é crítica mas não estou me pondo superior a isso, eu me coloco no mesmo balaio e sendo sincera, numa situação em que eu tivesse dinheiro ilimitado para reformar e decorar meu apartamento da forma que eu quisesse, duvido muito que eu saberia definir exatamente qual o meu estilo. Que casa teria a minha cara?

E quem tem energia pra falar com zumbis?

A minha vida pode estar uma merda mas ainda assim eu tento deixar de lado os micros problemas e refletir sobre as questões macros.

Eu estava vendo esse vídeo do canal da Ana Roxo e da Tatiane sobre essa palhaçada que o novo governo está fazendo com a educação e resolvi por pra fora alguns “achismos” sobre o assunto.

Antes, algumas considerações: não tenho formação e experiência alguma na área de educação mas se serve pra alguma coisa estudei minha vida toda, inclusive faculdade, em escola pública. E deixando claro que meu viés é de esquerda. Sempre foi desde que me entendo por gente. Hoje eu me alinho bem pouco com os partidos ditos de esquerda. Fui pra direita ou pro centro? Não. Fui bem mais à esquerda. Nos meus delírios esquerdistas, para mudar alguma coisa seria necessário uma revolução proletária, porém nosso proletariado ainda nem se reconhece como tal. E uma solução justa e humanitária nunca viria da direita por motivos óbvios de autofagia.

Se eu tivesse filhos estaria seriamente preocupada. Tenho sobrinhos e afilhados em idade escolar e o que me deixa um tanto tranquila é que todos eles estudam em escolas particulares que usam metodologia de educadores respeitados mundo à fora, mas essa tranquilidade para na questão “até quando os pais vão conseguir pagar por esse privilégio?”. Eu não sei vocês mas às vezes me pego divagando sobre o que eu faria se tivesse muito, mas muito, muito dinheiro. Eu criaria uma fundação ou um fundo de investimentos que forneceria bolsas de estudo. Os primeiros a serem contemplados seriam sobrinhos, afilhados e filhos de amigos por motivos de “eu sou a dona do dinheiro, eu quem mando nessa porra”. Mas uma vez que eles estivessem formados e não precisassem mais da bolsa, ela estaria à disposição de alunos carentes.

Voltando ao vídeo, eu concordo com o que elas disseram. Educação domiciliar não deveria ser prioridade desse governo e sim a qualificação dos professores. E quando elas falaram sobre a pressão que existe sobre professores porque todas as soluções dos problemas do país parecem sempre que passam pelo “precisa de mais educação” e citaram a Coreia do Sul como exemplo de avanço com massivos incentivos à educação, eu fiquei pensando se para nós, no nosso contexto, se essa seria a única solução. O que todo mundo deixa de lado é o problema de desgraçamentos de cabeças que o sistema de educação da Coreia gera, com vários suicídios e gerando uma “casta” onde somente os filhos da elite conseguem estudar nas melhores escolas e conseguem os melhores empregos. Isso ainda vai estourar num problemão com o crescimento da diferença social. E a gente sabe onde essa distância entre os mais ricos e os mais pobres termina: criminalidade e violência. A gente vive essa realidade mesmo tendo pulado a fase boa dos investimentos em educação.

Recentemente num encontro com um pessoal bem mais engajado politicamente que eu e ativos tanto na política quanto na educação, foi levantada essa bola também. A solução pra tudo seria mais educação. E lembro que alguém ainda questionou, mas e enquanto isso, o que a gente faz? E ninguém soube responder.

Juntando essas conversas eu ando pensando que talvez a solução para o nosso caso não seja exatamente pelas vias educacionais, ou pelo menos só por ela. Vai ter que ser criado um plano de contingência.

O ranço de gente desonesta intelectualmente me faz desejar que esse bando de idiotas passem muita vergonha com o conhecimento obtuso deles, mas aí eu lembro de um livro que li, acho que foi aquele sobre introvertidos da Susan Cain mas eu posso estar totalmente errada e não ser esse livro, de qualquer forma foi em algum livro que disse que a vergonha não gera resultados positivos, então essa não é uma saída viável. Não vai dar pra deixar eles apenas quebrarem a cara, vamos ter que ser ativos.

E eu já me deparei com uma pessoa que realmente ficou espantada e não soube como reagir ao saber que eu não compartilhava da mesma opinião pseudo-liberal e nem apontava arminhas com os dedos. A pessoa ficou literalmente paralisada e não conseguia entender a existência de alguém no mundo que não pensasse como ela. E com essas pessoas não há diálogo, não tem como debater, mostrar evidências e fatos. Não dá. A lavagem cerebral é tão forte, o discurso deles é tão confiante que faz a gente, que está sempre se questionando, porque não temos verdades absolutas, se perguntar se não estamos pensando de forma totalmente equivocada. Para essas pessoas a educação não tem efeito algum.

Eu nem sei exatamente por onde começar a pensar nessa alternativa mas provavelmente alguém mais competente que eu um dia surgirá com a ideia. Só espero ainda poder ver isso acontecer.

Quando é que Godot chega?

Há dias fáceis e há dias difíceis.

Nos fáceis a gente passa batido, inspirando, expirando, respirando.

Os difíceis se arrastam, demandam energia. Eu me esforço pra ser minimamente funcional, pra não desabar, pra por uma máscara e seguir em frente e até dando uma força pros amigos que estão piores.

Mas tem dias que simplesmente não são viáveis. O choro vem fácil. A prostração domina. Nada distrai. Não dá pra trabalhar, limpar, ler, ouvir música ou assistir série.

A vontade nem é de morrer é de não existir. Não sofrer.

E eu tenho tentado abraçar o sofrimento. Tentado ser madura me dizendo que isso faz parte da vida, que é pra doer mesmo e que é só esperar que vai passar.

Vai demorar muito pra passar?